Lá vem o alemão

No Draft da NBA, é completamente normal que um prospecto de outro país ganhe bastante mercado de uma hora para outra. Na MLB, as nações do Caribe sempre oferecem boas opções. Não é muito diferente da NHL, que tem diversos jogadores europeus em seus elencos. Isso é algo que não acontece na NFL, muito pelo fato do esporte ser disputado em alto nível apenas na América do Norte. Mas enfim apareceu alguém para desafiar a lógica e, até agora, ele tem tido bastante.

Se qualquer olheiro ou torcedor (que não resida na Europa) dissesse que conhecia o nome Moritz Boehringer antes do fim de março, daria para duvidar bastante da pessoa. Mas “Mo”, como o wide receiver gosta de ser chamado, virou a grande história do recrutamento da principal liga de futebol americano do mundo.

Cinco anos atrás, Boehringer estava navegando no YouTube e resolveu assistir a um vídeo recomendado que mostrava lances de Adrian Peterson. Foi aí que surgiu o amor pelo futebol americano. Como sua cidade não tinha jogadores suficientes para montar uma equipe, ele só treinava até que conseguiu uma vaga no Schwabisch Hall Unicorns, um time da German Football League (GFL). Com 1461 jardas e 16 touchdowns, o recebedor foi o destaque dos vice-campeões da liga.

Só que não foi o sucesso na GFL que chamou a atenção das equipes da NFL, mas sim a participação dele no pro day da Florida Atlantic University, onde Mo estava treinando desde o início de março. O recebedor de 1,93 m e 102 kg impressionou bastante ao mostrar um perfil atlético que jogadores com o seu porte físico não costumam ter. Ele correu as 40 jardas em 4,45 (quinta melhor marca da classe) e teve um ótimo desempenho em todas as outras atividades.

O alemão que chegou aos EUA sem ter ideia do que poderia oferecer virou um alvo frequente das equipes da liga. Praticamente todos os times presentes na FAU conversaram com ele após as atividades e oito franquias (Chiefs, Vikings, Packers, Seahawks, Rams, Falcons, Panthers e Saints) fizeram o convite para que ele visitasse suas instalações para que eles pudessem conhecer de verdade a sensação do recrutamento.

Claro que existem barreiras para o sucesso de Boehringer, já que ele joga futebol americano de verdade apenas desde o ano passado, mas o alemão tratou de conseguir ajuda para melhorar. Ele está treinando na Flórida com recebedores estabelecidos e até teve uma aula de como se livrar dos cornerbacks na linha com Pierre Garçon, da equipe de Washington.

Ainda não dá para saber se Boehringer realmente conseguirá jogar na liga, mas a mistura de perfil atlético com um grande potencial mostrado pelos highlights na Alemanha pode fazer com que um time use até uma escolha no terceiro dia do Draft para apostar no garoto. E se ele cair em uma situação boa, as chances de sucesso aumentam ainda mais.

Toda a sorte do mundo para Mo. E tomara que seja uma abertura para que mais jogadores que demonstram talento em outros países ganhem oportunidades na liga, seja pelo Draft (algo praticamente impensável antes de Boehringer) ou por contratações de agente livre, com Efe Obada e Anthony Dable, que retornou um kickoff para touchdown contra o Brasil no último Mundial do esporte.

Publicado em NFL

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