O jogo de basquete que já dura mais de um dia

Na última quarta (10), Colorado State e Boise State empatavam por 84 a 84 faltando 0,8 segundos para o fim da partida. A bola era dos Broncos na quadra de ataque e Anthony Drmic entregou para James Webb III, que arremessou em direção à tabela e conseguiu o que parecia mais uma vitória para os Broncos de Boise. Só que a partida ainda não terminou de verdade até o momento em que este texto está sendo escrito.

Por mais que parecesse que Webb tinha batido o cronômetro com tempo de sobra, os árbitros foram ao monitor para ter certeza que a bola teria saído das mãos do jogador antes dos zeros aparecerem no relógio. Enquanto isso, a transmissão da ESPN americana repetia o lance e mostrava que o jogador tinha soltado a bola com 0,3 segundos no relógio. Mas pouco tempo depois, o trio se reuniu com os técnicos e anulou o lance, levando a partida para a segunda prorrogação.

Na conversa com os técnicos, os árbitros disseram que tinham revisto o lance nos monitores e um cronômetro sobreposto ao vídeo oficial da conferência Mountain West (MWC) afirmou que o lance teria demorado cerca de 1,2 segundo, mais do que restava no relógio naquele momento, então o arremesso não seria válido. Durante o segundo tempo extra, os Rams jogaram bem melhor e levaram a vitória por 97 a 93.

Foi aí que o lance começou a viralizar na internet e vários analistas diziam que não entendiam como Webb tinha gastado 1,2 segundo para fazer o arremesso. A ESPN usou um cronômetro no Sportscenter e concluiu que a bola tinha saído da mão de Webb após 0,7 segundos, o que validaria totalmente o lance. Só que mesmo com os protestos de jogadores e a pressão da imprensa, a MWC soltou uma nota ainda na madrugada da quinta (11) apoiando a decisão dos árbitros.

Já durante a tarde de quinta, a MWC disponibilizou o vídeo oficial da revisão e aí ficou claro que o cronômetro usado pelos árbitros estava incorreto. A tecnologia usa o número de frames capturados pelas câmeras da transmissão para poder concluir quanto tempo se passou. No vídeo, Webb toca a bola por 39 frames. Ou seja, se o cronômetro mediu 1,3 segundo, o equipamento estava calibrado para 30 frames por segundo. Só que a ESPN produziu usando 60 frames por segundo. Ou seja, o tempo relatado pelos árbitros é o dobro do período que realmente se passou, então a cesta de Webb seria totalmente legal.

Partindo disso, vamos pegar as regras de uso de replay no basquete universitário. Segundo o livro da NCAA, “um display com o relógio de jogo pode ser utilizado na tela caso ele esteja sincronizado com o cronômetro da partida”. E como vimos no parágrafo acima, o equipamento usado pelos árbitros da MWC não poderia ter sido usado para a revisão, já que não estava totalmente alinhado.

Por causa desta regra, Boise State está tentando ficar com a vitória da partida. O grande problema é que o regulamento da NCAA não permite que uma equipe faça um protesto formal para tentar mudar o resultado de um jogo. Mas a direção esportiva da universidade está fazendo de tudo possível para que a MWC pelo menos faça uma revisão melhor do que aconteceu em Fort Collins.

Tudo o que dá para fazer agora é esperar as cenas dos próximos capítulos.

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